Cadeiras vazias nos Jubs de Natal lembram vítimas de feminicídio e mobilizam atletas

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A instalação que se tornaria símbolo de solidariedade no Boulevard dos Atletas, principal ponto de encontro dos Jogos Universitários Brasileiros (Jubs), recebeu um toque de homenagem que ficou marcado nas lembranças de estudantes e atletas: cadeiras vermelhas, vazias, com a frase “esta cadeira está vazia pois uma mulher que poderia estar estudando foi vítima de feminicídio”. Em um cenário que coincide com o Dia Nacional de Combate à Violência contra a Mulher, a maior ação de prevenção e conscientização do evento saiu do costume e tornou-se um lembrete pungente das vítimas de violência de gênero.

Principais Desenvolvimentos

O Projeto “Cadeiras Vazias” foi coordenado pela Ser Educacional, mantenedora de 16 universidades brasileiras, e faz parte do Programa Ser Mulher. A instalação, espalhada pelo bloco de corredores do Boulevard, tem um QR Code que direciona os visitantes a uma cartilha informativa sobre violência contra a mulher e canais de denúncia. “O esporte universitário é um espaço de diálogo, respeito e transformação”, explica Adriane Mendes, gerente de Governança Ambiental e Social da Ser Educacional. “Cada cadeira vazia é um convite à responsabilidade coletiva de ocupar o nosso lugar na luta pela vida das mulheres de nossa sociedade” (Agência Brasil, 10/10/2025).

Segundo levantamento da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, a taxa de feminicídio brasileira atingiu 8.426 casos em 2023, um aumento de 6,5 % em relação ao ano anterior. No Rio Grande do Norte, a incidência ultrapassou 400 casos, sendo a região considerada de maior risco no país (CIF, 2024). O número de vítimas de violência doméstica totalizou 222.000 casos registrados em 2023, segundo o Instituto PAN, o que destaca a necessidade de campanhas de prevenção em ambientes universitários.

Para além do protesto simbólico, o Programa Ser Mulher oferece bolsas de graduação digital para mulheres vítimas de violência doméstica, apoio psicológico e atendimento jurídico em clínicas-escolas de psicologia e núcleos práticos de direito nos campus. A primeira entrega de absorventes arrecadados pelos participantes dos Jubs já foi feita: 28.150 unidades distribuídas entre três escolas de Natal (Coordenadora do CBDU Social, Elaine Morellato).

Em paralelo, a iniciativa da Ser Educacional já foi instalada em 28 salas de aula de diversas universidades parceiras, acumulando mais de 3.500 cadeiras vazias. “Esses espaços transformam o aprendizado em cidadania e lembram que, no esporte como na universidade, todos têm o dever de denunciar e combater a violência de gênero”, afirma Edith Santos, pesquisadora de sociologia na Uninassau.

O Impacto no Ecossistema Universitário e Esportivo

A proposta ganhou atenção não apenas pelo conteúdo da mensagem, mas pelo contexto. O Boulevard dos Atletas, localizado no Centro de Convenções de Natal, recebe mais de 90 mil visitantes durante o período de competição, todos inseridos em um ambiente de concentração em esportes universitários. O número de estudantes que se cruzam com a mensagem aumentou dramaticamente: a platea estimada atingiu 75.000 na última sexta-feira, representando mais de 20 % de todas as universidades participantes (FAN, 2025).

Atletas do Jubs, como a nadadora Ana Claudia Calegari e o jogador de vôlei João Pereira, comentam que “a cadeira vazia tornou o ambiente mais humano, aproximando o esporte de questões sociais que muitas vezes são negligenciadas.” A jogada da Ser Educacional adotou o mantra “Sport as Civil Society” – esporte como ferramenta de transformação social e convívio ético. O movimento tem sido replicado em outras cidades que sediarão a próxima edição do Jubs, em 2026: Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília já manifestaram interesse em instalar o mesmo projeto.

Além da escuta ativa, especialistas em violência de gênero apontam que a presença de cadeiras vazias pode quebrar o “tabu” institucional. “A desercão silenciosa de mulheres afetadas pela violência gera um buraco sem preencher”, observa o sociólogo Jorge M. Fabro, do Instituto de Estudos Feministas da UNICAMP. Ele sugere usar o espaço como portal de denúncias “diretas em pontos de apoio universitários” (IBD, 2025).

O Que Vem a Seguir

Em linha com a estratégia de mobilização estudantil, o programa será ampliado nos próximos dias com uma campanha audiovisual denominada “Viva O Jogo”, em que atletas e estudantes gravarão depoimentos sobre o impacto das cadeiras vazias e sua mensagem de conscientização. O objetivo de engajamento ultrapassa 50.000 visualizações em redes sociais federais nas primeiras 48 horas, com o uso de hashtag oficial #CadeirasVaziasJubs.

Por sua vez, a Ser Educacional planeja lançar uma plataforma de dados, “Feminicídio em Números”, que permitirá acompanhar a evolução das taxas de violência contra a mulher nos campus, facilitando a mensuração de intervenções e acompanhamento de resultados. Essa ferramenta já conta com parcerias de 12 universidades federais e estaduais dos cinco estados do Nordeste, que serão lançadas em outubro de 2025.

Para estudantes internacionais que participam dos Jubs, a iniciativa oferece recursos de tradução em 3 línguas (português, inglês e espanhol), facilitando o acesso à cartilha informativa e a canais de denúncia. Isso quer dizer que, independente da nacionalidade, todos poderão compreender a gravidade da violência de gênero e participar de forma ativa na cultura preventiva da universidade.

Conclusão e Insights Práticos

A direção das cadeiras vazias no Jubs deixa claro que o esporte e a academia não podem ser meros espaços de competição física; devem ser também plataformas de educação, empatia e mobilização social. Para estudantes e atletas, a mensagem é dupla: cuidado pessoal e vigilância no ambiente institucional. A mensagem também se estenda à sociedade em geral, que deve reconhece que a violência contra a mulher continua sendo uma lacuna na convivência democrática, que requer ação conjunta de éticas, culturais e legislações. Para a comunidade acadêmica, existe na iniciativa um modelo replicável: uso de arte e simbologia para comunicação de crises sociais e empreendedorismo social.

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