De Joinville a Dubai: Grupo Haverroth busca tecnologia global para transformar o mercado de crédito e cobrança
O time da Haverroth Assessoria Empresarial não veio aos Emirados pelo skyline. Jackson T. P. Haverroth e James P. Haverroth, os irmãos contadores que fundaram o Grupo Haverroth em Joinville (SC), estão na cidade ao lado de Andson Simão, diretor de Expansão da empresa, em uma missão de reconhecimento: identificar as tecnologias de inteligência de […]
O time da Haverroth Assessoria Empresarial não veio aos Emirados pelo skyline. Jackson T. P. Haverroth e James P. Haverroth, os irmãos contadores que fundaram o Grupo Haverroth em Joinville (SC), estão na cidade ao lado de Andson Simão, diretor de Expansão da empresa, em uma missão de reconhecimento: identificar as tecnologias de inteligência de dados, automação e segmentação de carteiras que vão sustentar o avanço do grupo rumo a uma operação de porte nacional em crédito e cobrança.
O momento não é coincidência. O Brasil fechou o primeiro semestre de 2026 com 9,1 milhões de empresas negativadas, segundo a Serasa Experian — o maior número já registrado — somando R$ 232,9 bilhões em dívidas em atraso. O volume representa alta de quase 17% em doze meses, puxada por juros altos e por uma economia que perdeu força, com as micro e pequenas empresas concentrando a maior parte do problema.
DA CONTABILIDADE À ALAVANCAGEM
A entrada da Haverroth no mercado de crédito não foi um desvio de rota, e sim uma extensão natural do negócio. Por trinta anos, o escritório construiu sua reputação cuidando da vida fiscal, contábil e trabalhista de empresas brasileiras, somando a isso uma unidade de certificação digital, com emissão de e-CPF e e-CNPJ. Foi esse lugar privilegiado que permitiu aos sócios enxergar um padrão que se repetia cliente após cliente: vendas saudáveis, reputação sólida — e, ainda assim, dinheiro que nunca chegava ao caixa.
“Nossa história foi construída cliente por cliente. Acompanhamos empresas desde os primeiros passos, participamos de decisões importantes e criamos relações que atravessaram muitos anos”, afirmam Jackson e James Haverroth.
É exatamente essa distância entre faturamento e caixa que a nova unidade do grupo, a Haverroth Assessoria Empresarial, existe para fechar — funcionando, na prática, como uma extensão terceirizada do departamento financeiro dos clientes que carregam recebíveis em atraso.
“A Haverroth Assessoria Empresarial nasce para enfrentar um problema que afeta empresas de todos os portes: o dinheiro que foi faturado, mas não entrou no caixa”, diz Andson Simão, diretor de Expansão do grupo.
REFORÇO NO TIME COMERCIAL
Para sustentar o crescimento da unidade, o grupo trouxe Rodrigo Ferreira para a diretoria comercial. Ferreira soma 24 anos de experiência no mercado de crédito e cobrança e agora lidera a estruturação comercial da Haverroth Assessoria Empresarial.
“Chego para estruturar uma área comercial sólida, com processos claros e foco em resultado. São 24 anos dedicados ao mercado de crédito e cobrança, e trago essa bagagem para ajudar a Haverroth a crescer de forma consistente e sustentável”, afirma Ferreira.
RECUPERAR SEM ROMPER RELAÇÕES
No mercado B2B, a cobrança carrega uma complexidade que o varejo raramente enfrenta: o devedor costuma ser, ao mesmo tempo, cliente, fornecedor ou parceiro comercial, e uma abordagem malconduzida pode custar mais do que a própria dívida. Segundo a Haverroth, cada carteira é avaliada por critérios como tempo de atraso, valor, histórico de pagamento e perfil do devedor antes da definição da estratégia de contato, que combina telefone, e-mail, WhatsApp e SMS, com suporte jurídico acionado quando o caso ultrapassa a fase amigável. O tratamento das informações, segundo a empresa, observa o sigilo contratual e a Lei Geral de Proteção de Dados.
O QUE A VIAGEM A DUBAI BUSCA DE FATO
A escolha dos Emirados não foi por acaso. Reconhecida como polo global de inteligência de dados, automação e comunicação multicanal, Dubai oferece ao time da Haverroth um panorama concentrado das soluções que o grupo considera centrais para a próxima fase da operação.
“Vamos a Dubai em busca de conhecimento, conexões e tecnologias que possam elevar o nível da nossa operação. Queremos avaliar o que faz sentido para o Brasil e transformar esse aprendizado em benefícios concretos para nossos clientes”, afirma Simão.
O objetivo, fazem questão de frisar os executivos, não é importar sistemas prontos, mas adaptar modelos internacionais à realidade jurídica, cultural e empresarial brasileira.
ONDE A TECNOLOGIA TERMINA E O JULGAMENTO HUMANO COMEÇA
Mesmo com o avanço da automação, a Haverroth defende que o fator humano segue insubstituível na recuperação de crédito. Ferramentas ajudam a organizar informações, priorizar carteiras e antecipar comportamentos, mas negociações mais complexas — sobretudo quando envolvem dificuldades temporárias, divergências contratuais ou relações comerciais antigas — exigem uma leitura de contexto que nenhum algoritmo captura por completo. Nesse modelo, a eficiência não se mede pelo volume de contatos, mas pela recuperação de valores aliada à preservação, sempre que possível, do relacionamento comercial.
TRINTA ANOS DEPOIS, UM NOVO CAPÍTULO
Para a Haverroth, completar três décadas coincide com a maior ampliação de escopo de sua história: contabilidade, certificação digital e, agora, crédito e cobrança, operando como uma estrutura única e integrada, em um momento de inadimplência empresarial recorde no Brasil.
“Honrar uma história de 30 anos também significa preparar a empresa para o futuro. Nossa essência permanece baseada em confiança, qualidade e proximidade, mas nossa estrutura continua evoluindo para acompanhar as necessidades dos empresários”, destacam Jackson e James Haverroth.
A nova unidade já está em plena operação, com equipe dedicada à gestão das carteiras em atendimento. A viagem a Dubai, segundo os executivos, é apenas o próximo passo de um plano maior: trazer para o Brasil a tecnologia que vai dar escala a essa operação.


